A saúde do professor no Programa de Ensino Integral

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Um dos aspectos necessários para uma investigação profunda e adequada visando a melhora das condições de ensino nas Escolas que participam do Programa de Ensino Integral é a questão da saúde.

Sem dúvida a saúde em qualquer profissão a saúde dos profissionais chave deve ser um fator a ser investigado.

Há vários interessantes estudos e pesquisas sobre o tema:

Mas até o momento, nenhuma investigação foi realiza tendo como foco as condições de saúde dos docentes nas experiências de Escola Integral. Uma lacuna muito importante.

A principal atração das escolas com Ensino de Tempo Integral é o adicional de 75% nos salários para uma jornada de 40 horas/aula. Junta-se a isso o fato do professor não ter de dividir seu trabalho em unidades escolares diferentes.

Isso faz a renda de um docente ter um significativo avanço. Ainda não recebi meu primeiro salário, mas professores que tem tempo similar na rede estadual afirmam que salário fica entorno de R$ 4000,00.

Uma das mais importantes exigências da Escola de Tempo Integral não pode haver faltas. Entre os critérios de avaliação para manutenção da designação dos professores está não faltar. Cada falta derruba a pontuação da avaliação dos docentes.

Em escola de tempo integral não há “aula vaga”. Nem há professor eventual (ou módulos, como são conhecidos na rede municipal de São Paulo). Quando um professor, por qualquer razão ou motivo se ausenta, os professores que estão disponíveis na unidade escola o substituem durante as chamadas “horas de estudo”. Na verdade trata-se de  hora de trabalho extra-classe (correção de trabalho, acertos de diários…). Quando um professor falta numa escola de tempo integral gera um enorme e exaustivo distúrbio no trabalho dos demais colegas.

HISTÓRIAS DA SAÚDE DOS PROFESSORES EM TEMPO INTEGRAL

Ouvir os relatos é algo duro. Não existem histórias alegres. Apenas relatos tensos. E talvez isso seja um exemplo de investigação necessária para correção de rumos e ajustes profundos no modelo de “produtividade” e “eficiência” do projeto. Tenho certeza que mesmo a cúpula da administração estadual, responsável diretamente por toda a normatização do projeto, tem ciência e compreensão da questão da saúde.

De modo algum digo isso para isentar  a gestão do governador Marcio França e do atual secretário estadual de educação João Cury Neto. Eles são responsáveis, pois são responsáveis pela política educacional no Estado. Mas tenho a impressão que diante do tamanho da máquina burocrática estadual, simplesmente não tem ideia dos profundos equívocos e erros dentro da condução da política de pessoal do projeto.

Trata-se de uma lógica que considera que o aumento da remuneração dos professores nessas escolas deve exigir tudo do professor, inclusive sua saúde. Uma lógica que não se justifica e nem se prova eficiente na gestão pública e muito menos na condução de um projeto pedagógico para as escolas tendo como ponto de partida a qualidade de vida dos docentes o desenvolvimento de iniciativas e trabalhos que melhorem o rendimento escolar e o aprendizado dos alunos.

Ouvi um relato de uma professora que  sofreu um acidente numa escola fraturando o pé. Um acidente de trabalho. O médico exigiu um período de afastamento, maior que o limite do projeto. Essa professora teve de procurar 5 outros médicos até encontrar um que assinasse uma alta para ela. A gestão buscou ajudar ela de todas as maneiras, mas não conseguiu mais que o limite. E ela voltou a trabalhar antes do tempo adequado, sendo obrigada a trabalhar com um “robofoot” (bota que substitui o gesso).

Há muitos outros casos similares.  Professores que vão lecionar em crises de bursite graves, mas que não faltam de modo algum para não serem prejudicados nas avaliações. Professores que adiam cirurgias para o período de férias. Exemplos do que não deve ser feito.

Penso em buscar o registro destes relatos para conduzir um estudo e uma análise sobre o tema. Talvez associar pesquisadores da área da saúde para formulação de um questionário (survey) para coletar dados apenas com professores de escolas do programa de ensino integral.

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